Eita, quanta bochecha!
"Eu quero um pacto com a simplicidade. Limpar os desejos ocultos. Eu quero ser analfabeta das miudezas, dos disse-que-disse. Meus bolsos, meus bolsos se desfazem das pedras de uma vida inteira carregadas pro vôo das jóias."
Maísa Picasso
Maísa Picasso
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27.3.12
30.11.11
17.10.11
10.5.11
29.4.11
Coisa de criança
Essa é de Luana, minha prima de 3 anos. Viajou na semana santa com a família e ficou na casa de uns conhecidos que eram super católicos. A avó de Luana, ao ver as imagens na casa, aproveitou o ensejo para orientar espiritualmente a menina. Assim iniciou uma conversa apontanto a Nossa Senhora Aparecida.
- Vovó, vem ver que coisa mais linda. Uma santinha! Quem é essa, hein, vovó?
- A nega maluca?
- Vovó, vem ver que coisa mais linda. Uma santinha! Quem é essa, hein, vovó?
- A nega maluca?
26.3.10
11.3.10
9.2.10
Quem conhece compra!
Vestida para arrasar, by mamãe Luciana,
no Baile de Carnaval do prédio.
Num momento de descontração total, faz pose ensaiada para a câmera. Roupa by mamãe Luciana.
É toda sorrisos no colo do pai, o famoso "denguinho".
P.S. Notou minha redação igual a texto da Caras? Botei! :P
29.9.09
Histórias de crianças para colecionadores
Voltei a colecionar histórias engraçadas, cuti-cuti, lindíssimas de crianças e jovens.
É para um projeto pessoal meu.
Quem souber de alguma pode me escrever no maisapicasso@hotmail.com
É para um projeto pessoal meu.
Quem souber de alguma pode me escrever no maisapicasso@hotmail.com
17.9.09
Ouvi uma triste esta semana.
Estava no salão, e conversa de salão ótima para desopilar tuuuudo, quando uma criatura jurou de pé junto que a pró do "todo enfiado" ainda estava na escola trabalhando. Ela ainda disse que o chamego da dita cuja é um barraqueiro do litoral baiano que fica pirado quando o povo canta essa música no local de trabalho dele. Mas o pior foi a filha de um cliente do salão, que devia ter uns 10 anos. Ouviu a conversa toda e disse a seguinte pérola: "haja hipoglós".
14.7.09
Compromisso com a felicidade
Foi quando dava aula no Bairro da Paz* que conheci Juninho. Mirradinho, de uns três anos na época. No Natal, Juninho chegou na aula todo contente que tinha ganhado um guaraná pitchula de presente. Mais orgulhoso ainda estava por ter tomado todinho sem precisar dividir com os nove irmãos.
Hoje, lembrei dessas pequenas histórias quando Carol ressaltou que eu sou feliz. E eu pensei que felicidade é ter sempre uma carta na manga para quando as coisas chatas acontecerem. E fazer votos de que nunca saia de moda rir.
Daí lembrei que Juninho usava um boné enorme, desses que doamos junto com as coisas que normalmente não nos servem mais. Era vermelho e sambava de tão grande. Nele, tinha escrito assim: Meu compromisso é com a felicidade.
* Bairro da cidade de Salvador, Bahia.
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26.6.09
Crianças de hoje
- Vovó Nena, cadê Vovó Bisa Lili?
- Ôô, Liz... Vovó Bisa Lili agora mora no céu, com Papai do Céu e muitos anjinhos.
- Ah... Foi mesmo?
- E quem matou ela?
*****
Um coleguinha se aproxima de Bruna,
uma menina esperta de 6 anos, que andava de bicileta em sua rua,
numa tarde de sábado:
- Ei, Bruna. Foi o seu pai que morreu?
- Epa! Meu Pai não morreu?
- Não?
- Quem morre vai para o diabo e meu pai está vivo no céu.
- Ôô, Liz... Vovó Bisa Lili agora mora no céu, com Papai do Céu e muitos anjinhos.
- Ah... Foi mesmo?
- E quem matou ela?
*****
Um coleguinha se aproxima de Bruna,
uma menina esperta de 6 anos, que andava de bicileta em sua rua,
numa tarde de sábado:
- Ei, Bruna. Foi o seu pai que morreu?
- Epa! Meu Pai não morreu?
- Não?
- Quem morre vai para o diabo e meu pai está vivo no céu.
8.8.07
Voando com as borboletas... εïз

Como são dias de chuva eu procuro respostas.
Vôo de volta pra casa.
Com borboletas.
*
Que a Luzia era uma criança diferente das outras todo mundo sabia. Ela tinha um faro pra descoberta, faro pra esquisitice, pra brincadeira avessa, pra porquê. Lá uma vez, sentada no batente da porta da casa, decidiu pensar o porque que o mundo era. Como era um dia de chuva, sentia mais vontade ainda de resposta. E seu Vô que era o adulto mais perto, era o professor da vez. Ô, vô...
Hum.
Qual que é o tamanho do mundo?
Hum?
O mundo, vô, de que tamanho é?
Ora, ele é, é...é do seu tamanho, menina.
Do meu? Tem certeza?
Sim.
Hum...O João é menor que eu, aquele magrela, quer dizer que o mundo dele é diferente do meu?
É...
E a Glorinha da quarta-série, que o João gosta, ela é maior do que eu e já usa sutiã. De que tamanho é o mundo dela, vô?
Ora, menina...
E eu, vovozinho, de que tamanho sou? De que tamanho é o mundo que é do meu tamanho é? Han?
Luzia...
Vô.
(pausa)
O seu mundo, pequena, é do tamanho dos seus sonhos.
Sabia!
E saiu do batente pra fora da casa, rindo pra dentro, como quem já sabia.
27.5.07
Menina que tem fome de mundo
Ô, menina, venha logo antes da chuva engrossar, que de chuva sapo sai e você tem medo. Ó, menina...venha que teu pai te pega e vai é sobrar pra mim, visse? Olha a qualhada que eu fiz pra você.Venha ver, venha, é mané Zequinha. Queta o facho, criatura. Não grita assim que azucrina a gente. Tá vendo? Já tô com dor no otorrino. Esse cachorro tá sarnento, não pega...vixe. Eita, menina malina, já tirou a fita do cabelo. Vai ficar feia logo no dia de ir pra igreja? Quero ver o que o padre vai dizer. Larga a cristaleira, que se quebrar cristal pra te bater não me custa. Ê, buliçosa. Que vale por dois. Parece inté cavalo arisco. Larga desse pé de siriguela que vai tê um desarranjo. Muda de ser assim, num tem futuro. Nem marido que queira. Nem quem guente. Pra ser outra, só nascendo de novo, mãe. Toma suco de tangerina com rapadura que é pra adoçar, toma. Menina que tem fome de mundo...
16.5.07
E Clara?

Dia desses encontrei a filha de uma amiga minha. Nos seus três anos incompletos, uma sapequice de menina sem lugar para nenhuma outra arte, só mesmo essa de sapecar.
E uma veracidade incrível. Criança é assim, né? Quanto menor mais verdadeira pra dizer o que sente. A não ser quando explicitamente você ameaça. Aí, ela diz tudo, tudo o que você quer ouvir. Ou não diz se quiser tirar sarro com você e o corredor for enorme.
O fato é que Clarinha eu não sabia bem como que era. Faziam alguns anos que não a via. Até aquela tarde. Eu indo estudar. Ela voltando da escola. Na rua com a mãe. Eu com os livros. Ela de farda, eu de marcas.
Oi, Clara, tudo bem? Tudo. Como você está, minha flor? Não sei... Clara, fale direito com sua tia. Não sei, mamãe, não sei como que eu tô. A mãe desapontadíssima. E Clara? Clara foi brincar.
E eu fiquei num lugar sem nome de mim, no mesmo de onde tinha vindo, de lá também de onde nem sabia dizer o que sentia. Mas dizia que dizia. Qualquer coisa assim copiada de um comercial de tv, um enunciado de prova, um discurso de novela.
Daí esse encontro me lembra uma música que ouvi pela primeira vez recentemente numa peça no XVIII. De uma música cantada assim arrastada pra dar idéia do jeito de baiano. Esse jeito lindo de quem pausa o mundo pra ver tudo. Não, não no susto como tantos. Mas comendo de co-lher-zi-nha feito Macabéia de Clarice dizendo dos apelos de um desodorante. Feito Pessoa que fala de uma desapredizagem pra aprender. Feito Cecília que fala de um olhar de desdedida. Feito Clarinha, sapeca, poeta. A música dizia que se chover, eu não vou, eu não tô. E chovia naquela tarde, aos montes.
E eu ali escorrendo em disfarce, no camarim das máscaras. E Clarinha cadê? Foi-se brincar.
1.4.07
Sabe o que é professora...
- Lau, me diz uma coisa, por que você bate em seus colegas?
- Lau, me diz uma coisa, por que você bate em seus colegas?
- Por que todo mundo bate em mim, Tia Maísa.
- Todo mundo quem?
- Minha mãe me bate. Meu pai me bate quando bebe. Minha irmã Sabrina bate, meu irmã
o Isaac bate. Na escolinha, Daniel me bate.
o Isaac bate. Na escolinha, Daniel me bate.- Lau, você já viu Tia Maísa batendo em alguém?
- Não, Tia. Você alisa.
- Ninguém bate em Tia Maísa e tia Maísa não bate em ninguém.
- Peraí, Tia.
E saiu correndo pelo quintal pra ver o que a outra Tia estava fazendo. Quando já estava distraída com outras coisas, ele voltou. Me deu um beijo no rosto e me lançou a seguinte questão:
- Quer dizer, Tia, que se eu não bater em ninguém, meu pai e minha mãe vão parar de bater em mim?
E eu bem sabia do que ele estava falando. O pai quando bebia já ficava na intenção do menino. Mas antes que eu pudesse responder, ele saiu correndo novamente. Acho que lá no fundo ele sabia que ninguém tinha a resposta pra essa pergunta.
(Lau,era o apelido preferido de um aluno meu de 5 anos no trabalho voluntário que desenvolvi no Bairro da Paz, por quatro anos. Menino de sorriso largo e que adorava capoeira. Era muito dengoso e adorava disputar minha atenção. Tinha mais 4 irmãos do projeto e 7 irmãos ao todo).
Drogas & Palavrões
Numa sala de aula pra jovens, discutíamos como escrever uma matéria sobre drogas.
- Maísa, é verdade que tem um nome de droga que é um palavrão?
- Um nome de droga...palavrão...hum, não sei. Do que você está falando, Iasmin?
- Um nome de droga, professora. Droga mesmo, como maconha, cigarro.
- Iasmin, eu não estou lembrando o nome de nenhuma assim. Por que você não me fala pra ver se eu lembro?
- Ah, não, professora, eu tenho vergonha.
- Ô, minha flor, fale sem vergonha, ninguém aqui vai ficar falando nada, nem te julgando. É normal ter dúvidas.
- Então tá, professora. A droga que eu estou falando é, é... é TABACO, professora.
- Hum.
Pagando o pato
Quando ensinei jornalismo em Madre de Deus, no Projeto Navegar, através da Oficina de Construção do conhecimento jornalístico, pra jovens de 11 a 16 anos, coisas muito engraçadas aconteceram. Numa dessas, a turma estava no maior rebuliço pra fazer sua primeira entrevista coletiva. Ele
s escolheram uma figura pública na cidade que faz um trabalho lindo artístico em vários eventos de lá. (Na festa de comemoração da Padroeira, no Carnaval de época, no Natal através do presépio temático, essas coisas). De uma criatividade só. E os meninos escolheram essa figura porque queriam, através do jornal, relembrar a história e memória oral da cidade.
s escolheram uma figura pública na cidade que faz um trabalho lindo artístico em vários eventos de lá. (Na festa de comemoração da Padroeira, no Carnaval de época, no Natal através do presépio temático, essas coisas). De uma criatividade só. E os meninos escolheram essa figura porque queriam, através do jornal, relembrar a história e memória oral da cidade. Tudo certo pra entrevista, fomos a casa dele no horário combinado. Os meninos ajeitaram o gravador, tiraram fotos, fizeram perguntas. De repente, reinou aquele silêncio básico que acontece quando nós jornalistas sentimos que rendeu o suficiente, que é hora do ponto final na matéria.
Fez-se esse silêncio. Mas uma menina, das mais novas e inquietas da turma, não achando-se por satisfeita, roubou ruído do tempo e me saiu com uma nova e intrigante pergunta que, ela, no auge dos seus 11 anos, acreditava ser das mais importantes possíveis pra se pôr num jornal.
- Ô, Fulano, seus leitores querem saber, você é virgem?
- Menina.
22.3.07
E mais algumas de crianças.

-E, olha ali, aquele homem parece uma mulherzinha.
O menino me sai com uma dessas num encontro de pais da escola.
- Hum...e você acha isso por...?
- Ele anda assim, minha pró, todo se bulindo.
Ainda mais envergonhada, a professora luta desesperadamente pra abafar o caso antes que chame a atenção de todos os pais presentes.
- Menino, não fale assim. O que você está querendo dizer,
é que aquele homem tem um jeito diferente, mas ele continua
sendo um homem e merece respeito. Sim, é só um jeito de andar diferente. O que é que tem isso? Meu filho, existem pessoas de todos os tipos, jeitos e cores. E todo mundo merece respeito e todo mundo
- Mas....
- Nada de mas, Pedrinho, vá terminar sua lição, vá.
- Ah, Pedrinho, deixa de ser burro. Ele não é mulherzinha, não, Você não ouviu a professora?
- Não, ele não é não, Kátia. Que bom que você entende das coisas.
- Entendo sim,professora. Meu pai já me explicou tudo. Ele não é mulherzinha. E também não é homem. Ele é um veado.
- Ô, Tia, era de boiola que você estava falando era?
- Vá brincar, vá, criança.
***
Numa certa escola de classe média...
- Crianças, nossa escolinha está organizando um calendário comemorativo. Alguém sabe o que é isso?
- Aqui,aqui, professora.
- Fale, Juliana. É que cada dia a gente comemora uma coisa. Tem dia da criança, da mãe, do pai.
- Sim.
- Tem dia do papai noel e do coelho da páscoa também, né?
- É...Quem conhece uma outra data que a gente comemora alguma coisa?
- Eu , eu, professora.
- Diga, Michele.
- Hoje de manhã, minha mãe tava vendo Ana Maria Braga e ela falou que hoje era dia, era dia do orgasmo.
- Glup.
- Abram o livro de português na página 05.
O menino me sai com uma dessas num encontro de pais da escola.
- Hum...e você acha isso por...?
- Ele anda assim, minha pró, todo se bulindo.
Ainda mais envergonhada, a professora luta desesperadamente pra abafar o caso antes que chame a atenção de todos os pais presentes.
- Menino, não fale assim. O que você está querendo dizer,
é que aquele homem tem um jeito diferente, mas ele continua
sendo um homem e merece respeito. Sim, é só um jeito de andar diferente. O que é que tem isso? Meu filho, existem pessoas de todos os tipos, jeitos e cores. E todo mundo merece respeito e todo mundo
- Mas....
- Nada de mas, Pedrinho, vá terminar sua lição, vá.
- Ah, Pedrinho, deixa de ser burro. Ele não é mulherzinha, não, Você não ouviu a professora?
- Não, ele não é não, Kátia. Que bom que você entende das coisas.
- Entendo sim,professora. Meu pai já me explicou tudo. Ele não é mulherzinha. E também não é homem. Ele é um veado.
- Ô, Tia, era de boiola que você estava falando era?
- Vá brincar, vá, criança.
***
Numa certa escola de classe média...
- Crianças, nossa escolinha está organizando um calendário comemorativo. Alguém sabe o que é isso?
- Aqui,aqui, professora.
- Fale, Juliana. É que cada dia a gente comemora uma coisa. Tem dia da criança, da mãe, do pai.
- Sim.
- Tem dia do papai noel e do coelho da páscoa também, né?
- É...Quem conhece uma outra data que a gente comemora alguma coisa?
- Eu , eu, professora.
- Diga, Michele.
- Hoje de manhã, minha mãe tava vendo Ana Maria Braga e ela falou que hoje era dia, era dia do orgasmo.
- Glup.
- Abram o livro de português na página 05.
1.3.07
Brincadeira de Criança

Tem coisa mais gostosa que meninice?
Se você torce a boca quando o assunto é criança
e acha que qualquer tempero pra adulto é esquisitisse
lamento dizer que você é candidato a ser chato de galocha.
Eu adoro criança e pensei em deixar aqui minha sincera homenagem
de quem aprende muito com os pequenos a tomar vacina contra adultice.
A gordura TRANS
O menino, no alto dos seus 10 anos, chega em casa todo contente:
- mainha, mainha, eu e Leonardo já estamos na IDADE de ir pro Aeroclube SOZINHOS.
O Pai na cadeira, de todo susto, de jeito nenhum.
- Mas porquê, porquê? Ô Mãe, o pai não quer deixar.
...
_ Vamos fazer assim,
(E um esboço do sorriso no menino já surge)
- Vou fazer umas perguntas, se você responder todas, você e seu amigo podem ir sozinhos ao shopping.
Puxam-se cadeiras, respiram-se fundo, estalam-se dedos.
Se acontecer isso? Aquilo.
E se por acaso aquilo? Isto.
E se por ventura nada daquilo? Isso, isto e aquele outro.
_ E se algum ESTRANHO aparecer e te oferecer comida?
-Ah, essa é muito fácil, minha tia.
-A gente olha pra ver se tem gordura trans. Né, Leonardo?
.
- Que foi?
- Reprovado.
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