CHEGANÇA

"Mesmo que eu desapareça,
ainda assim, eu pareceria grande.
Que do meu peito embalo conto,
narrar-se apenas.
E de meus modos
desfaço e apronto
recrio e existo,
ora perdido, ora encanto.
E se meus medos rebeldes parecem tantos,
olho-os com maternal cuidado.
Que no mesmo mar que navego aprumo,
no mesmo mar, no entanto.
Eu canto nessa romagem
ora partida, ora chegança.
Que meu peito sussurra noite,
e meu canto é feito neblina.
Um não ser findo.
Um quase sempre,
quase alma".

Maísa Picasso

23.11.09

Sussu e o sol



Ela nem imaginava que o sol fosse tão distante.
Tantas vezes procurou alcançar pulando de uma montanha bem alta.
Por mais que caísse o mistério era maior.
O não poder olhar a fazia tremer por completo.
Tão incandescente, ele a preenchia de esperança e quietude.


Um dia, a manhã nasceu mais plena.
Vermelhos e violetas o envolviam, na hora errada.
E como se deixasse olhar, fazendo sombra,
Ele se mostrou para ela.
Inteiro, repleto, inspirador.
Em êxtase, Sussu adormeceu o olhar,
Cedendo ao impulso do sonho aguardado.
Mais claridade envolveu sua alma e suas tranças de menina. 
Já não precisava ver, já nem mesmo o sentia,
Selados um para o outro, como um suspiro.

16.11.09

Me disseram que fazia tempo em que não escrevia poemas e contos lindinhos aqui. Foi doloroso ouvir isso, mesmo sendo a verdade. É que veio de quem tem olhar para apreciar, de quem vive de musa. E de uma pessoa que o apreciar realmente me importa.

Pensei e matutei o que dizer aqui ou sobre isto. E também justificativas são tão frágeis e sem valor... O que percebo é que minhas descobertas têm sido cada vez mais silenciosas. Que o meu olhar tem menos doçura pro mundo hoje e mais entendimento. Meus reboliços d'alma são mais estáveis. Já não tenho tantas perguntas ou inquietações.

Hoje, me atenho as respostas que encontro às tantas questões não respondidas que margeiam minha vida. São elas que gentilmente me conduzem a todas as manhãs. Encontrar respostas é perceber que os caminhos que tomamos são sempre os certos, porque vão adiante.
Já não tenho medo, já não tenho dúvidas, já não escuto monstros. Porque me acostumei que essas coisas são só o outro lado natural da vida e não dão sustos, porque não estão no armário. Correm soltos pelo quarto e às vezes vão se embora cansados de não ter com quem brincar.

Já não tenho tantos interesses, hábitos, gostos, necessidades. Nem ânsia pelo conhecimento. Percebo que eles é que lutam pela minha atenção, para serem afagados ou consumidos. Eu só existo com felicidade e harmonia. Se tenho pedras no bolso misturadas aos diamantes já não me preocupo. Que num leve assoprar elas voam embora.

Se não tenho escrevido com tanta paixão em desacordo aos olhares generosos dos gentis apreciadores, preciso que não se chateiem ou que busquem outras musas, já que não devo pedir desculpas. Mas se optarem por ler esse post e entenderem, sintam que é só o caminho de alguém que tem encontrado mais vida secreta no silêncio do que nas palavras.

E para você, meu querido amigo, irmão e amado, que tanto me agradou com suas visitas, seus olhares e seu caminhar junto ao meu, peço que considere meu pedido como um desejo para reflexão. Que essa musa, essa entidade extraordinariamente bela e estonteante, retratada inúmeras vezes como mulheres, anjos ou amadas possa ser incansavelmente achada ou buscada, perdida e encontrada, em você. Que assim, ela permanecerá para sempre atada, ungida e entranhada em ti, mesmo no mais recôndito espaço-tempo de teu ser.



10.11.09

Adote um amigo




Soube de uma assistente social no bairro de Itapoan, Salvador/Ba, que tirou 50 cachorros de rua e colocou em sua casa.  Ela foi abandonada pelos amigos, pelo noivo e é rejeitada pelos vizinhos e parentes pelo seu ato. Hoje, Luciana se encontra desempregada, mas não desampara os animais.

Amigos de toda a parte estão ajudando a sustentar os pequenos e conseguir um novo lar.

Há jeito de ajudar de toda forma:

- Repassar a notícia (publique em seu blog ou repasse para seus amigos);
- Levar os machos numa clínica no bairro de Brotas para castrar (já está tudo pago);
- Doar dinheiro para ração (eles fazem prestação de contas);
- Ajudar a conseguir emprego para Luciana.

Veja fotos e ajude essa causa. 

Dúvidas pelo e-mail ines.hardt@bol.com.br

6.11.09

Uma coisa de que sinto falta é que moramos
em uma cidade sem primaveras ou flores.

31.10.09

"Eu faço samba e amor até mais tarde"

Cantarolo trecho da música sempre
que ando em direção a mais uma visita.
Há tanta certeza e vitória nesses passos
que o desbotado das roupas nem se nota.
Não desafino harmonizo. Sorrio com os olhos
e com a alma e a maldade de uns vai-se embora.
Minha canção é 100% certeza.
É de quem tem achado lugar ao mundo.
E ordenado ao universo: felicidade, felicidade, felicidade.

16.10.09

Não adianta. Eu sou um caso crônico de bom-humor e fé na vida. As coisas mais complexas e incógnitas acontecem, é fato. Mas as mais bonitas ainda vem assim mesmo.

 Ô, coisa boa é sermos "simplesmente feliz" sem condições, estados e acontecimentos. É um ciclo vicioso de coisas boas e de coisas não tão boas, mas que acontecem ao nosso favor 100% das vezes. Se alternam dia após dia. Tempestades ou dias ensolarados são ricos de beleza.

E eu já começo a achar graça e rir do meu samba. É devagar, mas as notas são sentidas, harmonisosas.

5.10.09

Eu vou torcer, eu vou

Uma das últimas páginas de um livro que escolhi ler citava a impaciência como uma resistência ao aprendizado. Achei essa frase  única. Da ansiedade que temos de ter tudo muito, ao mesmo tempo, agora. (E acabei de citar duas agências de propaganda :P)


O fato é que às vezes tenho fome e sede de mundo, de novo, de vida. Que o final das histórias ou as reviravoltas sejam o tom mais usado de uma música. E a gente combina passear de carro na orla, em um dia ensolarado, ouvindo Jorge Ben


"Eu vou torcer pela paz. Pela alegria, pelo amor. Pelas moças bonitas. Eu vou torcer, eu vou.
Pelo inverno, pelo sorriso. Pela primavera, pela namorada. Pelo verão, pelo céu azul.
Pelo outono, pela dignidade. Pelo verde lindo desse mar. Pelas moças bonitas eu vou torcer, eu vou".


Uma amiga terminou o namoro de cinco anos. Outra decretou greve aos chefes. Houve quem sofresse de calúnia no fim de semana. Quem perdesse o cachorro. Quem enrolasse para não ir ao cinema. E quem somou três meses de amor.


Nessas histórias navego assumindo parte de uma autoria coletiva. Embalada pela letra de Jorge Ben eu pulo etapas, impaciente, e sorrio as reviravoltas e peripécias das histórias do mundo. Um pouco eu, um pouco Lu, carlinha, martinha, sussu, gisarela "Pelas moças bonitas eu vou torcer, eu vou".

29.9.09

Histórias de crianças para colecionadores

Voltei a colecionar histórias engraçadas, cuti-cuti, lindíssimas de crianças e jovens.
É para um projeto pessoal meu.
Quem souber de alguma pode me escrever no maisapicasso@hotmail.com

24.9.09

Vi alguns filminhos estes tempos. Tou liquidando baratinho algumas indicações. Na categoria ação e suspense curti o filme "Ponto de Vista". No setor de comédia, e como são raras boas comédias, ri muito com os filmes "Gosthtown" e "Pagando bem que mal tem?".

17.9.09

Menina, uma jornalista foi na casa de minha avó entrevistar a família por causa de um parente famoso. A entrevista foi ótima, muitas risadas, depoimentos e salgadinhos. Nisso cai o refletor na cabeça da repórter. Meu tio aí larga essa: "se não fosse o cabelo...".
É que ela usava black power.
Agora pense!

Ouvi uma triste esta semana.

Estava no salão, e conversa de salão ótima para desopilar tuuuudo, quando uma criatura jurou de pé junto que a pró do "todo enfiado" ainda estava na escola trabalhando. Ela ainda disse que o chamego da dita cuja é um barraqueiro do litoral baiano que fica pirado quando o povo canta essa música no local de trabalho dele. Mas o pior foi a filha de um cliente do salão, que devia ter uns 10 anos. Ouviu a conversa toda e disse a seguinte pérola: "haja hipoglós".

10.9.09

E não é que faltam cores nessas linhas hoje?
E esse blog todo merecendo vida nova.
As mãos ainda são as mesmas.

Vi o filme Casamento de Rachel que me fez pensar sobre as ruínas de cada um, as poeiras escondidas por debaixo do tapete ou aparentes, espalhadas por uma ventania.

Dizem que tem tempo para tudo. Até o do sempre recomeçar, quando a empolgação, a mudança faz a gente sentir que tudo é novo e que desta vez vai dar certo.

Mas desde quando essas reviravoltas não fazem parte da história? Desde quando o certo não é tudo isso, essa estrada profunda de atalhos e caminhos?

21.8.09

Tinha esquecido de como ver desenho animado é bom

Tenho que confessar uma coisa.
Eu não tenho antena de TV há mais de um ano.
Só ligo a dita cuja para dvd's e games :P (ê..vício) .

Tudo bem que dou uns foras massas sobre as piadinhas indianas tiradas de frases de efeito da novela no dia a dia, mas tirando isso, levaria a vida numa boa, se não fosse pelo desenho animado.
Que falta esse bicho faz.

Gente, só eu estresso?
Tou dando a volta ao mundo diariamente de tanta pilha.
Até música clássica de toque no celular botei. Mas tá adiantando não.
Haja meditação :P

7.8.09

Estranho doer tanto

Todos nós somos capazes de qualquer coisa sempre, né?
Então porque dói tanto quando o ruim vem de quem é mais precioso para gente?
Eu costumava dizer de maneira tão simplória que o bem e o mal estão muito próximos de nós no estágio em que estamos. Como uma estrada que ainda não sabe ser reta, são só curvas que cruzam ora a virtude ora o imperfeito.
O estranho é só doer tanto.